Avançar para o conteúdo principal

Erros na Avaliação de Desempenho

images Estamos em final de ano o que significa que mais uma vez vamos ser avaliados no nosso desempenho anual.
Aos avaliadores nunca é demais relembrar os erros (mais) comuns na Avaliação de Desempenho, situando as devidas adaptações de cada método em causa, de forma a tomar consciência que as distorções, mesmo que involuntárias, podem provocar a diminuição da objectividade e efeitos pretendidos com o processo.
Aqui vão os erros mais comuns:
    • Efeito de Halo/Horn – Tendência para alargar a todo o desempenho aspectos positivos ou negativos desse desempenho. O avaliador generaliza a todo o desempenho uma opinião favorável (Halo) ou desfavorável (Horn) de uma característica isolada ou comportamento especifico.
    • Tendência Central – Tendência para atribuir nota média, evitando classificações baixas com receio de prejudicar ou elevadas com receio de se comprometer para o ano seguinte.
    • Efeito de Recenticidade – Tendência para dar relevância a situações recentes que marcaram o desempenho, provocando este um efeito desproporcional na avaliação.
    • Erro constante (Complacência / Rigor Excessivo) – Os avaliadores condescendentes estabelecem padrões baixos de avaliação/desempenho (complacência) e os avaliadores muito exigentes (rigor excessivo) estabelecem padrões de desempenho difíceis de atingir.
    • Erro de “primeira impressão” – A primeira impressão que o avaliador forma do avaliado tem tendência a permanecer e sobrepor-se ao desempenho real.
    • Erro de semelhança (projecção pessoal ou auto-identificação) – Propensão a avaliar o desempenho do avaliado à semelhança de si próprio, julgando melhor os avaliados que se identificam mais com o avaliador (este é o erro mais comum porque muitos intervenientes não conseguem separar as amizades do profissionalismo).
    • Erro de fadiga/rotina – Pode acontecer quando estão em causa muitos avaliados e consiste numa propensão a não prestar muita atenção ao processo de avaliação. Esta erro pode distorcer consideravelmente o processo de avaliação.
    • Incompreensão do significado dos factores – ocorre quando o avaliador não percebeu bem o significado dos factores de avaliação realizando uma apreciação errada das qualidades do avaliado.
Sendo sempre um processo com alguma subjectividade, a tomada de consciência dos erros mais comuns pode reduzir essa subjectividade e tornar o processo mais justo e transparente.
A avaliação de desempenho é um instrumento de apoio à gestão e um factor de mobilização em torno da missão dos serviços e organismos e por isso deve ser visto como um estimulo ao desenvolvimento das pessoas e à melhoria da qualidade dos serviços (Suzana Toscano).
A avaliação de desempenho do colaborador permite: 
  1. Ajustar o perfil às tarefas com que ele mais se identifica;
  2. Aperfeiçoamento continuo;
  3. Se este tem as competências adequadas para o desempenho;
  4. Se tem potencial de promoção;
  5. Propicia aumentos salariais;
  6. Diagnostica necessidades de formação;
  7. Evidencia problemas de relacionamento;
  8. Gera motivação e satisfação no trabalho
Lamentavelmente, depois da década de 80, o processo de avaliação de desempenho para a maioria das empresas consubstancia mais um processo formal e burocrático, do que uma ferramenta de gestão, e que se reduz apenas ao preenchimento de formulários e não à avaliação objectiva e critica, o que faz com que os avaliados percepcionem o processo mais como uma forma de punição ou recompensa.

Por isso, também nunca é demais lembrar algumas das principais criticas ao processo de Avaliação de Desempenho: ausência de lideres com competências para avaliar pessoas; ausência de planeamento e treino para a sua aplicação; avaliação circunscrita a um dia; ausência de participação dos colaboradores.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Pelo Vale da Ribeira do Mogo

08/11/2017 Percurso circular com uma extensão de 13,5Km (concelho de Alcobaça). Iniciei na Chiqueda Grande, junto à ponte sobre o Rio Alcoa, cuja nascente cársica fica um pouco mais acima e é uma das mais importantes da região pelo seu caudal extenso. Foi feito no sentido contrario aos ponteiros do relógio o que permitiu entrar logo no Vale e evitar uma subida bastante acentuada. Este Vale da Ribeira do Mogo situa-se no sopé da vertente oeste da Serra dos Candeeiros, atravessando a freguesia de Aljubarrota. É um percurso sinuoso, de fácil caminho e denso de vegetação, com predominância dos carvalhos, medronheiros e sobreiros Bastante húmido, mesmo nesta época que predomina a falta de chuva (bastante grave este ano). Aparentemente ao longo do trilho, este é acompanhado por uma levada natural (seca nesta altura) indiciando ter bastante água no inverno. O final deste Vale desemboca na Estrada Principal que vem do Carvalhal para Ataija de Cima, ju...

“Pobreza e exclusão social em Portugal: uma visão da Cáritas”

A pobreza tem sido dos fenómenos sociais mais estudados. Particularmente desde 1999 quando Amartya Sen publicou uma nova perspectiva sobre “desenvolvimento” (1) contrapondo as teorias tradicionais. Entendimento que veio a ser reforçado pelos estudos desenvolvidos por Deepa Narayan sobre a pobreza (2). A partir destes dois investigadores o fenómeno da pobreza deixou de ser entendido apenas como um conceito económico para passar a incorporar fatores sociais, políticos e de liberdade individual. Fundamental nesta defesa, importa reter a implicação que a condição de pobreza tem na limitação dos exercícios das diferentes liberdades e na tomada de decisão. Implicação que a neurociência ajudou a compreender. Esta semana saiu um novo estudo sobre a pobreza: “Pobreza e exclusão social em Portugal: uma visão da Cáritas” (4) . Nada de novo. Olhou para os indicadores e confirmou que o combate à pobreza em Portugal não registou progressos significativos na redução dos pobres. Dados da Pordata (2022...