segunda-feira, 21 de maio de 2018

A vida transforma-nos mas não na totalidade


A vida transforma-nos mas não na totalidade.

Ontem os meus olhos humedeceram-se e as lágrimas trouxeram as mesmas emoções e imagens que vivi em 22/07/1994.

O primeiro gira-discos, a janela de luzes psicadélicas que iluminavam o quarto nas noites escuras, a capa do “Animals”, as letras passadas à máquina de fita pelo João que serviam depois á conversa entre nós em modo progressivo e experimental.

A música sempre transformou a minha vida. Aparece quando estou alegre, quando tenho saudades, melancólico, desperto, curioso. Quando tenho tempo. Se não ouvisses música enquanto estudas tinhas melhores notas dizia a minha mãe. Vezes sem conta. Algumas gosto,  outras passam de largo, a outras volto, outras descubro. Mas há aquelas que sempre me despertam os sentidos, me apontaram quem fui e sou. Os Pink Floyd são os únicos que não deixaram que a transformação fosse na totalidade. A que regresso para me amparar.

Ontem o Roger Waters permitiu-me isso tudo. Nunca a conjugação do espetáculo, da música e letras me pareceram tão perfeitos.

Tal como em 77 ou em 94, apenas mudaram os porcos mas continuam a governar o mundo.

Há poetas que não se deixam transformar e nunca morrem.

terça-feira, 20 de março de 2018

Manifestações de igualdade de género

Há uma frase de Nietzsche que gosto particularmente – “a criança que somos não envelhece nem nunca morre no nosso inconsciente”.

Confesso que tenho uma dose qb de machismo dentro de mim. Afinal nasci em 62 bolas!! Há-de envelhecer e morrer comigo. Conscientemente, acredito (e esforço-me por agir) que a igualdade de género é um comportamento que a todos enriquece (Maio de 68 em mim?).

Resultado de imagem para igualdade de géneroComo a religião. Ainda que a existência d’Ele pré-exista, acredito (e esforço-me por agir) que se pode viver na felicidade sem a sua ubiquidade (obrigado Dawkins).

É por isso que movimentos como “Me Too” ou as tshirts que os modelos do Nuno Gama passaram na Moda Lisboa parecem-me cair na patetice, não passando de manifestações dionisíacas (sem o verdadeiro sentido de criação de algo novo). – “existiriam se não houvesse redes sociais?”.

Já às dúvidas de linguística (sintaxe) lembro-me sempre do artigo do RAP “Quem fala assim não é gago”.

A morte da amizade a morte

Será muito difícil estabelecer uma relação de afecto e muito menos de lealdade. Ainda assim gostava que a morte fosse minha amiga.
Imagem relacionadaSeria uma relação de não reciprocidade, tenho a certeza. Eu teria algo para lhe oferecer mas ela estaria vazia em mim – “talvez por isso, nunca possa ser uma relação de amizade”.
Mas gostava. Para que antes de entrar, batesse à porta, e pedisse licença. Dizem que quando a morte bate à porta o som é diferente de qualquer daqueles que a vida nos dá a conhecer. É seco, profundo como se caíssemos no vazio.
- Como estás hoje? Mostra-te lá. Não, hoje não entras! – aos amigos podemos-lhes dizer o que pensamos, à morte não porque não lhe conhecemos a cara.
Mas gostava. Nem que fosse só para ela vir ter comigo e perguntar se podia ir bater à porta daqueles por quem a nossa memória nunca se esquece.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Separação


O filho veio almoçar com ele. Reformulou.
"O meu filho veio buscar uns livros que mandou vir para a minha morada e, de caminho, almoçou comigo".

Como habitual, poucas palavras para conversarem no tempo que estão juntos. 

"As nossas vidas estão ligadas pela consanguinidade, apenas, assim parece" - disse para consigo.
“Sabes, vou a Barcelona no dia 6” – disse o herdeiro, sem mencionar que iria passar lá o dia dos seus anos e os da irmã. 

"Mais um indício da distância que a ausência de palavras denuncia" - pensou ele novamente. "Outra concertação familiar “ - continuou - "Esta sensação de que a família deles se circunscreve ao lado maternal, reforça-se".

Lembrou-se da frase de Nietzsche – “…a criança que fomos não envelhece nem nunca morre no nosso inconsciente”.

O tempo nem tudo cura. Principalmente aquilo que a educação confirma.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A evolução para a corrida natural


Há cerca de 6 meses, cansado de lesões, decidi “entrar” no conceito da corrida natural. O objectivo era reforçar os músculos ao nível dos gémeos e soleares.

Depois de ler alguns artigos, comprei uns ténis intermediários que alternei com os que utilizava normalmente para uma melhor adaptação face às diferenças técnicas entre eles.

Passado este tempo, verifiquei que o desgaste da sola destes tinha ocorrido ao nível do calcanhar (exactamente no mesmo sitio dos outros).
Percebi que não tinha interiorizado correctamente o conceito e cometidos erros evitáveis.




Voltei, novamente, a percorrer artigos sobre o assunto. Hoje fiz uma corrida procurando uma passada já dentro do conceito de corrida natural. E senti a diferença.

Deixo aqui o meu testemunho sobre o assunto.

Primeiro, a corrida natural é uma filosofia de corrida. Isto quer dizer que não é mais, nem menos, correcta do que qualquer outra. No meu caso, a zona de impacto faz mais sentido dentro desta filosofia e, como pratiquei ténis de mesa de competição durante muitos anos, os principais músculos solicitados já foram habituados e desenvolvidos para isso.

A defesa desta filosofia está assente na zona do impacto que se deve situar do meio do pé para a frente. Desta forma, o amortecimento é ajudado por músculos e tendões que não são tão utilizados quando o impacto se faz no calcanhar. É o caso do solear e do tendão de Aquiles.

Por isso, o fundamental é corrigir a passada e a postura da corrida. Não é fácil para quem está habituado a pousar primeiro o calcanhar (há exercícios iniciais para ajudar na correcção). As duas situações extremas em que a diferença é brutal é nas subidas (mais fácil) e descidas.

As passadas devem ser mais curtas e o pé que vai à frente ficar apenas ligeiramente adiantado relativamente à anca que deve ser empurrada para a frente. Em caso de aumento de velocidade o que aumenta é o ritmo da passada e não o aumento da distância entre cada passada.

Devemos sentir o impacto na planta do pé e não no calcanhar e evitar a contracção muscular.

Só depois de corrigida a passada e postura se deve comprar os ténis minimalistas e ir diminuindo o drop e o amortecimento.

Sempre a tempo de aprender.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Pelo Vale da Ribeira do Mogo

08/11/2017
Percurso circular com uma extensão de 13,5Km (concelho de Alcobaça).
Iniciei na Chiqueda Grande, junto à ponte sobre o Rio Alcoa, cuja nascente cársica fica um pouco mais acima e é uma das mais importantes da região pelo seu caudal extenso.
Foi feito no sentido contrario aos ponteiros do relógio o que permitiu entrar logo no Vale e evitar uma subida bastante acentuda.






Este Vale da Ribeira do Mogo situa-se no sopé da vertente oeste da Serra dos Candeeiros, atravessando a freguesia de Aljubarrota.
É um percurso sinuoso, de fácil caminho e denso de vegetação, com predominância dos carvalhos, medronheiros e sobreiros
Bastante húmido, mesmo nesta época que predomina a falta de chuva (bastante grave este ano).
Aparentemente ao longo do trilho, este é acompanhado por uma levada natural (seca nesta altura) indiciando ter bastante água no inverno.







O final deste Vale desemboca na Estrada Principal que vem do Carvalhal para Ataija de Cima, junto a um campo de futebol.
Daqui entramos num outro trilho designado de Vale Escuro e que nos leva ao lugar de Cadoiço.
Na entrada deste vale predominam as oliveiras e o terreno é mais técnico devido às inúmeras pedras que apresenta.






No final deste troço, começamos a subir e vamos parar a uma pedreira que contornei e iniciei o regresso ao ponto de origem, em direcção ao Carvalhal.
Metade do percurso estava feito.
Nesta outra metade caminhei, grande parte, pelo planalto da serra avistando ao longe a Serra dos Candeeiros e entre nós, lá em baixo, o extenso Vale da Ribeira do Mogo.


Chegando a Longras iniciou-se a descida até Chiqueda, com troços bastante técnicos face à inclinação e pedras.









 O tempo despendido foi de 3h50m, um pouco mais do que o que tinha previsto.
Trilho a repetir depois do inverno quando houver muita água cuja influencia deverá alterar o percurso inicial junto à nascente ao Alcoa.



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cheleiros - Cascata de Anços - Cheleiros

Percurso circular com cerca de 13 Km.
Dificuldade moderada.
Data: 15/05/2017
Duração: 4h50m

O trilho tem inicio em Cheleiros junto ao edificio da Junta de Freguesia.
Atravessa-se a estrada principal e segue-se descendo até ao rio.
Sempre por dentro da vila, passa-se pela Casa da Paz (fotos).



Inicio do percurso em Cheleiros. Casa da Paz. Indicação de alguns sitios interessantes ao longo do percurso
Chegando à ponte vira-se à esquerda iniciando o trilho propriamente dito.






Depois de 1,5Km e de uma subida com cerca 150m chegamos à aldeia da Mata Pequena que se situa em plena Zona de Protecção Especial do penedo do Lexim. Sempre bela e em diversos preparativos para o período de férias.
























Depois de uma visita e de algumas fotos, lá seguimos o trilho que nos levaria ao Penedo de Lexim, troço que é na ordem dos 4 km e subida a uma quota de 270. 
As vistas são soberbas. Aqui o trilho não tem marcações e o GPS mostrou-se essencial.
Aos 3,3km, quando encontramos alcatrão, voltamos à esquerda. Aqui tivemos para atravessar a estrada e segui em frente, apanhando um pequeno trilho que nos deveria levar ao cimo do monte junto a um moinho (ou o que resta dele), mas decidimos seguir a estrada, Mais à frente, no cruzamento contornamos à direita e o penedo aparece-nos com a sua imponencia. 

Mata Grande










Penedo do Lexim





Seguindo o alcatrão, deixámos o penedo à nosa esquerda e descemos até ao lugar do Casal Chanti.
Aqui entrados novamente em trilho (não marcado), com uma pequena subida, tendo encontrado novamente alcatrão ao km 6 perto de Raimonda.













Seguindo sempre o alcatrão descemos e fomos apanhar a estrada principal que vem de Mafra. Aqui atravessamos pela primeira vez o rio Lizandro. No cruzamento voltámos à direita e iniciámos uma pequena subida. Esta estrada é mais movimentada e é preciso cuidado.
Após termos percorrido cerca de 800m, e depois da curva, desviámos à direia e apanhámos um trilho e que evita que façamos todo o alcatrão até Anços. Trilho este que acaba por desembocar na estrada que vai de Anços até Barreiros. Aqui voltamos à esquerda e fazemos muma subida até Anços.
Entramos em Anços junto à Igreja e de frente para o lavadouro municipal.

Atravessamos Anços, não sem pararmos para bebermos qualquer coisa no bar da Associação Cultural e Recreativa de Anços.
Em Anços começamos a descer a estrada em direcção à Maceira. Após mcerca de 500 m encontramos, do lado direito, a indicação das cascatas. Mesmo em frente a uma fonte desactivada.


E lá fomos até às cascatas (cascatas de Anços ou do Rio Mourão).
Sitio bem sinalizado. Nunca pensámos que ali havia uma cascata com aquela dimensão.
Apenas vimos a maior, mas seguindo o trilho marcado há mais outras pequenas.









A partir daqui seguimos o trilho (sempre a descer) ao longo do rio durante cerca de 1,5km até atravessarmos novamente o rio Lizandro que, nesta altura, não levava muiot caudal permitindo a travessia sem molhar os pés.






Mais 1,5km estariamos a entrar novamente em Cheleiros.
Percurso agradavel, não dificil.
Pena que não esteja marcado.