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As máscaras que deixámos de usar

Hoje passei por um homem que trazia na mão direita uma pequena vara onde 4 ou 5 máscaras anti-covid se penduravam. Andava desenvolto, de olhos postos no chão num movimento de quase cento e oitenta graus à sua frente. Olhou para mim e disse “boa tarde”. Pareceu-me muito bem disposto. A minha retribuição foi acompanhada com o peso dum juízo extemporâneo. Quando olhei para as máscaras tive tanta certeza que quem as perdeu deitou-as deliberadamente para o chão que cheguei a repreender os anónimos. Mas o sorriso daquele homem fez-me lembrar dum outro dia que procurei uma que tinha no bolso do casaco e já lá não estava. Já no regresso a casa a memória recordou-me daquela vez que ia a correr em grupo e dei um pontapé a uma lata de coca-cola que se encontrava no chão, o Vasco que vinha ao meu lado parou, voltou atrás, apanhou-a e levou-a na mão até ao primeiro caixote do lixo que encontrou. Não foi preciso dizer nada para me dar uma lição de cidadania.

Ainda bem que existem pessoas que sem dizer nada, ou apenas com uma “boa tarde” me lembram do que é isto de viver em comunidade. É que a forma como pensamos o outro estreita com o sentimento de que o "foi sem querer" só nos acontece a nós.

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